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Dream Theater 40 Anos: Celebração do retorno de Mike Portnoy com a banda em São Paulo

Dream Theater 40 Anos: Celebração do retorno de Mike Portnoy com a banda em São Paulo

16 de dezembro de 2024


Crédito das fotos: Carlos Pupo/Headbangers News

Em um domingo quente de dezembro de 2024, a casa Vibra São Paulo foi palco de um show histórico: a comemoração de 40 anos da banda Dream Theater! Um momento histórico para a banda com o retorno de seu baterista e membro original, Mike Portnoy!

Que noite! Tenho a sensação de que, por mais que eu escreva, não será o suficiente para descrever esta experiência, mas prometo dar o meu melhor!

A casa abriu as portas às 19h, e, aos poucos, foi tomando forma com um público empolgado, vestindo camisetas do Dream Theater, Tool, Pink Floyd, Leprous, dentre outras bandas de metal e rock progressivo, além de bandas clássicas. No palco, podíamos ver uma grande cortina estampada com a imagem de comemoração dos 40 (XXXX) anos da banda, cobrindo-o por inteiro.

Pontualmente às 20h, as luzes se apagaram e, com elas, vieram os gritos dos fãs ao som da música Prelude, de Bernard Herrmann, diretamente do filme Psicose. Ali, já sabíamos que algo grande estava por vir. Às 20h02, a cortina foi levantada, e lá estava o Dream Theater em uma formação que não víamos há 14 anos!

Trazendo todo o seu metal progressivo, víamos Jordan Rudess em seus grandes teclados, compostos por uma tela digital que projetava imagens do que estava sendo tocado em suas teclas ou por ondas. John Myung, com seu jeito mais introvertido e seu baixo; John Petrucci, com seus grandes braços, de quem não sai da academia, mas treina com sua guitarra até mesmo na esteira; James Labrie, com seus vocais, que dividiram águas nesta turnê por oscilar em qualidade desde o primeiro show deste ano; e, por último e não menos importante (não mesmo), Mike Portnoy! Ah, o nosso querido baterista está de volta! Depois de 14 anos, após sair da banda para se dedicar a seus projetos solos e dar espaço para o outro Mike, o Mangini, Portnoy volta com toda sua presença de palco, que tanto fez falta ao longo desses anos! Não me entenda mal, Mangini é e foi um grande baterista dentro e fora do Dream Theater, mas o Portnoy resgata a alma da banda em sua melhor forma! E acredito que todos ali presentes ansiavam por esta reunião.

A banda iniciou o concerto com Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper, música do disco Images and Words, de 1992! O público gritou empolgado, e, pela primeira vez, Mike Portnoy trouxe sua bateria por completo para o Brasil! O músico, conhecido por utilizar um equipamento extenso, em outras turnês não a trouxe por completo, e este é um marco em seu retorno, não apenas para a banda, mas para os shows no Brasil! Ao fundo da banda, grandes telões projetavam artes referentes ao disco e à música tocada no momento, o que deixava o espetáculo ainda mais rico.

Mas uma observação a ser feita é que, como de costume no Vibra, os telões laterais não estavam ligados, projetando imagens da banda. Considerando como o palco da casa é baixo, isso pode ter atrapalhado a experiência para pessoas mais baixas que estavam na pista VIP ou comum e não conseguiram enxergar a banda (até mesmo pela quantidade de mãos levantadas de pessoas que gravavam o show).

Logo em seguida, a banda trouxe a música Act I: Scene Two: I. Overture 1928, do disco Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, de 1999, e, neste momento, o vocalista interagiu com o público, apontando com o pedestal o seu microfone para a plateia cantar por ele. Após esse momento vibrante, a banda iniciou Act I: Scene Two: II. Strange Déjà Vu, também do disco Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, e percebemos o quanto a voz de Labrie estava melhor nesta apresentação do que em algumas apresentações anteriores em outros países. Com o retorno de Portnoy, não só as baterias ganharam sua energia, como também o microfone, com seus backing vocals.

No fim dessa forte sequência, James Labrie interagiu com o público, dizendo o quanto estavam felizes de estar de volta à energia empolgante do público brasileiro e pediu uma salva de palmas ao retorno de Mike Portnoy. E, claro, o público brasileiro ovacionou com gritos de “olê olê olê olê oláaa, Portnoy, Portnoooy!”

Após essa breve comemoração, a banda iniciou The Mirror, do disco Awake, de 1994. Neste momento, Jordan deixou seu posto e assumiu sua keytar, instrumento metade teclado e metade guitarra, tocando junto a Petrucci em um momento de proximidade com o amigo de banda. E foi incrível ver o entrosamento da banda.

Algo importante a ser destacado é que este concerto contou com uma iluminação que acompanhava as cores de cada disco, projetando raios de luz entre palco e plateia. Neste momento, as luzes ficaram azuis e, ali, eu esperava que viesse algum som do disco Octavarium, de 2005. E não foi diferente: Petrucci iniciou, em sua guitarra, as primeiras notas de Panic Attack, e o teclado de Jordan Rudess tomou uma curvatura que permitiu ao público visualizar seus dedos velozes pelo instrumento. Ao fim dessa música, Labrie recebeu um cartaz de um fã, mas, sem mostrar ao público o que estava escrito, o jogou como um boomerang para o fundo do palco. Em seguida, a banda iniciou a música Barstool Warrior, do disco Distance Over Time, de 2019, álbum da composição antiga da banda, ainda com Mangini.

Após esse momento, o palco ficou escuro, e, após um curto tempo, toda a iluminação voltou para John Petrucci, que, utilizando um efeito de violão em sua guitarra, tocou a introdução em um solo da música Hollow Years, do disco Falling Into Infinity, porém na versão da demo de 1996. Quando toda a banda tomou destaque, Mike Portnoy pediu que todo o público acendesse as lanternas dos seus celulares, e todo o teatro foi iluminado pelos fãs em um momento emocionante. Ao final, em um toque especial, Petrucci repetiu o solo feito no show de Budokan, de 2004.

Após esse momento, a banda iniciou a música Constant Motion, do disco Systematic Chaos, de 2007, e, aqui, James Labrie entregou um vocal impecável, com scream que imaginávamos que ele não conseguiria. Após essa entrega, foi a vez de As I Am, música enérgica do disco Train of Thought, de 2003, música que todo o público agitou, dançou e cantou junto à banda! Portnoy finalizou essa música com um trecho da música Where Eagles Dare, do Iron Maiden!

Aqui, a banda anunciou uma pausa de 20 minutos e a música Dance of the Dream Man, de Angelo Badalamenti e David Lynch, para a série Twin Peaks (minha favorita), tomou conta dos auto-falantes. Esse detalhe de músicas do cinema é uma característica que Portnoy trouxe de volta para os shows da banda. Sabemos que o músico, como bom cinéfilo que adora indicar filmes e séries para seus fãs, traz consigo esse elemento para os shows. Ao fim dos 20 minutos, iniciou-se um vídeo contendo animações de cada disco da carreira da banda, embalado pela música Overture orquestrada.

A banda retornou de sua pausa com Night Terror, primeiro single do próximo álbum de estúdio da banda, Parasomnia, com lançamento previsto para 2025. E, mesmo sendo uma música nova e não tão apreciada por grande parte dos fãs, o público acompanhou a banda com animação e cantoria por todo o teatro. Ao fim, James Labrie anunciou que era a vez de Under a Glass Moon, do disco Images and Words, e o público ovacionou com os pulmões. E, nesta, a banda, mais uma vez, fez uma pequena brincadeira, tocando a versão apresentada no show Score, de 2006.

Agora, era a vez de Labrie anunciar a música This Is The Life, do disco A Dramatic Turn of Events, de 2011, álbum gravado com Mangini na bateria. Antes de iniciar a música, Labrie disse que temos a grande mania de olhar para a vida dos outros, achando que sempre é melhor que a nossa, mas que devemos dar valor à nossa, pois cada um vive jornadas únicas, e “esta é a vida”. Acredito que esta foi a melhor entrega de Labrie em todo o show, quando pudemos ouvir seus vocais limpos em destaque.
Agora, Vacant, do disco Train of Thought, tomou o palco e, mais uma vez, em uma música emocionante, Labrie entregou lindos vocais e foi aplaudido pelo público.

Seguiu-se Stream of Consciousness, e lembramos o quanto o Dream Theater era conhecido por não agitar muito ao vivo, mas desta vez foi diferente: além do carisma de James Labrie e Portnoy, podíamos ver uma banda entrosada e empolgada, e, como fãs, acreditamos que a volta do amigo, depois de tantos anos, teve força em toda essa animação.

Agora, em um dos momentos mais emocionantes de todo o show, iniciaram a música Octavarium, do disco Octavarium, de 2005, e, neste momento, a casa, com toda sua atenção voltada para a banda, entrou em um momento único. Aqui, abro um momento pessoal para dizer que este disco mudou toda a minha relação com a música. Fui apresentada a ele aos 17 anos e me apaixonei pelo metal progressivo, me aprofundando neste gênero, conhecendo o Porcupine Tree e o Opeth logo após. Essas bandas mudaram meu jeito de ver (neste caso, ouvir) música. Me mostraram uma grande paixão que deu um novo e grande significado para minha vida, tendo a música como algo extremamente significativo que me move dia após dia, espiritualmente, e posso dizer que várias vezes geograficamente. Trouxe para minha vida as pessoas mais incríveis, que são meus amigos e, hoje, os chamo de família.

Fui muito feliz nestes 23 minutos de música, um filme de nostalgia passou pela minha cabeça, me lembrando daquela adolescente do interior escutando este disco com uma grande amiga e sonhando pelo dia que os veria ao vivo, e o melhor de tudo foi que pude viver este momento ao lado de um grande amigo, que posso dizer ser o maior fã que conheço do Dream Theater, que chorou toda a música ao meu lado e que, nestes últimos anos, foi o meu maior companheiro de shows e também de coberturas de concertos aqui para o Headbangers News, o Pedro Bertasso. Foi e é uma honra cobrir tantos shows ao teu lado, meu amigo, e torço para que isso aconteça muitas vezes. E obrigada por todos os toques que você me deu durante o show e que contribuíram para que esta resenha seja mais completa, com informações que só um grande fã do DT, como você, poderia carregar.

Depois de derramar algumas lágrimas, é momento de continuar a resenha, mas já no finalzinho do show. Este foi o momento do encore, e, para este momento, a banda escolheu a cena “There’s No Place Like Home” do filme clássico O Mágico de Oz, de 1939, e com toda certeza isso tornou mais mágica toda essa experiência.

A banda retornou ao palco e sabíamos que o fim estava se aproximando (mesmo sabendo que suas músicas costumam ser longas, nunca é demais escutar mais algumas horas as melodias do Dream Theater). A banda então iniciou Act II: Scene Six: Home, do disco Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory, e o público ovacionou a volta da banda ao palco. Seguindo, tocaram Act II: Scene Eight: The Spirit Carries On, música emocionante, e todo o público gritando “Mickey”, pelo cachorro querido de Portnoy, que havia falecido dois dias antes deste show. O músico se emocionou atrás da bateria, mas continuou a entregar toda sua energia por todos ali presentes.

Por fim, Labrie disse que a próxima música todos ali conheciam e esperavam que cantassem junto com ele. Então, a banda iniciou um de seus grandes clássicos, que não pode faltar em seus shows: a música Pull Me Under, do disco Images and Words, e todo o público os acompanhou, finalizando assim esta grande noite, que passou pelos sonhos de vários ali presentes. A banda agradeceu ao público, tirou algumas fotos e se despediu, deixando com a promessa de retorno e gostinho de quero mais. Singin’ in the Rain, de Arthur Freed & Nacio Herb, para o filme Dançando na Chuva, foi a escolhida para fechar esta noite de comemoração, e tenho a certeza de que todos ali presentes voltaram para casa com a certeza de que presenciaram um momento que deixou o coração quentinho, como a capa daquele álbum, Images and Words.

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