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Fabio Lione esbanja simpatia e clássicos em sua passagem por Londrina

Fabio Lione esbanja simpatia e clássicos em sua passagem por Londrina

10 de fevereiro de 2025


Crédito das fotos: Ana Henriques/Headbangers News

Já faz um tempo que turnês de bandas nacionais vem incluindo cidades fora das rotas mais costumeiras do país, deixando de se apresentar apenas em grandes capitais. Esse é um movimento cada vez mais cobrado pelo público e, aos poucos, vem sendo atendido por produtores locais em união com bandas da cena.

Desta vez, Londrina teve a oportunidade de receber a “Epic Tales Brasil Tour”, encabeçada por Fabio Lione em sua primeira turnê solo no Brasil. O italiano já é considerado brasileiro pelos fãs depois de mais de uma década assumindo o posto de vocalista do Angra.

Em meio ao anúncio da pausa que o Angra fará – apesar de ter esta turnê de despedida prolongada – Fabio Lione encontrou a oportunidade perfeita de explorar o Brasil cantando músicas que fazem parte de sua extensa carreira como vocalista do Rhapsody, apresentando também músicas de projetos que ele fez parte e de influências de sua jornada como cantor.

Com uma longa turnê passando por vários cantos diferentes do Brasil, a Enorion foi a banda escolhida para acompanhá-lo, tanto como ato de abertura como banda de apoio de Lione. Com excelentes jovens músicos em sua formação, o grupo divide os holofotes com um dos principais nomes da história do power metal mundial.

O Cativeiro Bar foi o lugar escolhido em Londrina para receber este evento. Na casa de shows conhecida pelo público underground da segunda maior cidade do Paraná, a banda Freak Mars ficou responsável pelo primeiro concerto da noite, apresentando no palco uma festa em homenagem ao Hard Rock.

Com direito a “roupa de zebrinha” e outros aparatos clássicos do estilo, o grupo trouxe covers de bandas como Whitesnake, Nazareth, Kiss e Europe, apresentando também faixas próprias entre alguns covers, buscando seu espaço entre o público. Músicas autorais como “Unbelievable”, “We Just Can’t Get Along” e “Hey You”, esta última nunca tocada ao vivo antes, se encaixam bem com o setlist apresentado, já que o grupo coloca em suas faixas autorais vários traços das bandas que eles homenageiam. Uma apresentação muito boa para animar os que chegaram mais cedo na casa.

Já a Enorion trouxe uma divertida apresentação no palco do Cativeiro, apesar de bastante curta. Era de se imaginar que a banda não tocaria muito, já que acompanhar por duas horas as músicas que Lione escolheu para compor o setlist da noite exigia bastante da resistência dos músicos. Porém, isso não tirou o brilho de uma excelente apresentação.

Com cinco músicas durante aproximadamente vinte minutos, a banda de Tatuí animou os londrinenses. A apresentação se iniciou com duas músicas autorais, “Enorion” e “Time to Understand”, faixas que deixaram claro o porquê da banda ser a escolhida para acompanhar Fabio Lione nesta nova jornada. Com os pés fincados no power metal europeu, o grupo conquista fãs de bandas como Rhapsody e outras do estilo.

De forma mais intimista e pedindo para o público acender as luzes dos celulares depois de seguirem a banda no instagram, Felippe Castelo (vocal) foi acompanhado pelo tecladista Rafael Braz para um belíssimo cover de “Wait for Sleep”, do Dream Theater. Na sequência, divertiram o público com uma versão metal do tema de abertura do clássico desenho “He-Man”, assim como uma excelente performance de “Pegasus Fantasy”, faixa de abertura do desenho “Cavaleiros do Zodíaco” eternizado em português pelo ex-Angra Edu Falaschi.

A banda apresenta uma performance impecável, interagindo com o público a todo momento e buscando conquistar fãs nesse caminho que vêm percorrendo com Lione. Com muito potencial, é um nome para os fãs de power metal ficarem de olho para lançamentos futuros.

As duas bandas de abertura, infelizmente, atrasaram para começar. Por sorte, isso não aconteceu com Fabio Lione. Após a abertura do show com “Lux Triumphans”, o vocalista foi ovacionado pelo público ao entrar no palco para cantar “Dawn of Victory”, clássico absoluto de sua época no Rhapsody.

Esbanjando simpatia – assim como faz no Angra – o italiano estava muito falante. Quase um brasileiro, o vocalista trocava palavras com o público entre todas as músicas. Isso aconteceu durante as performances de “Land of Immortals”, “Wings of Destiny” e “Holy Thunderforce”.

Era muito claro que o público estava mais empolgado em assistir músicas mais pesadas e rápidas, o que culminou na grande comemoração quando Fabio anunciou “Emerald Sword”. Durante o anúncio, aproveitou para brincar com sua banda brasileira, dizendo que “Emerald Sword” era uma música que a banda era obrigada a tocar todas as noites, mesmo não sendo a melhor música do Rhapsody, assim como o Angra precisa fazer com “Carry On”.

Depois da brincadeira, não houve uma alma presente que não entoou o refrão de uma das faixas que serviu como pilar para o famigerado “metal espadinha”, estilo tão reverenciado pelo público brasileiro. Não há o que discutir. Definitivamente, “Emerald Sword” é um grande clássico.

A apresentação se seguiu com “The Magic of the Wizard’s Dream”, faixa dedicada a Christopher Lee. O famoso ator, sempre lembrado por sua performance como Saruman na trilogia de Senhor dos Aneis, era também vocalista de heavy metal e dividiu sua voz com Fabio Lione nesta que é uma das mais bonitas baladas da banda.

“Wisdom of the Kings” precedeu a pesada “Unholy Warcry”, faixa que obrigou todo o público a bater cabeça. Durante o show, Cristoffer Lopes (guitarra), Gabriel Oliveira (guitarra), Pablo Guillarducci (baixo) e Thiago Caeiro (bateria) se espremiam no pequeno palco do Cativeiro Bar e davam um show à parte. O grupo formado apenas por jovens músicos assumiu a responsabilidade para si de tocar músicas tão complexas com maestria, enchendo os olhos dos que os observavam além do italiano.

Sempre brincando com os presentes, Lione comentou que se ele havia conseguido aprender a falar “portunhol”, os fãs também seriam capazes de acompanhá-lo em italiano durante a performance de “Lamento Eroico”. Esta faixa, junto com a dançante “The Village of Dwarves”, foram as responsáveis por finalizar o primeiro setlist da noite, contendo apenas faixas do Rhapsody.

Porém, sendo frio em minha análise, o segundo setlist era completamente dispensável. Apesar de toda carreira que o músico tem, já tendo participado de bandas como Kamelot e Visions Divine, além do próprio Angra, é do Rhapsody que os fãs realmente sentem saudade. Não que a apresentação do segundo setlist tenha sido ruim. Pelo contrário. Mas era possível se escutar vindo do público “canta mais Rhapsody” em diversos momentos da noite.

Por exemplo, as faixas do Angra escolhidas por Lione para integrar o setlist, “Rebirth”, “Nova Era” e “Bleeding Heart”, nem são de sua época na banda. Porém, o vocalista sabe bem que é isto que o público gosta de escutar. Durante “Nova Era”, Fabio andou pela pequena casa onde a apresentação acontecia, cantando no meio do público. Também foi divertido vê-lo cantar o refrão final de “Bleeding Heart” com a letra em português da versão forró desta música, “Ainda Estou Sofrendo”, regravada pelo Calcinha Preta.

“Send Me An Angel” e “Violet Loneliness” foram as escolhidas para homenagear seus dias no Visions Divine, incluindo a divertida história de que a primeira delas foi inspirada em uma música do Backstreet Boys. Lione mostrou todo o poderio de sua voz cantando lírico em um belíssimo dueto com Felippe Castelo durante “Time to Say Goodbye/Con te Partirò”, faixa eternizada na voz do incrível cantor Andrea Bocelli com um pouco mais de peso aplicado pela banda.

O cover lírico de Fabio entra na lista de músicas que entraram no setlist para mostrar influências que o italiano teve ao longo de sua vida. Junto desta, “Still Loving You” do Scorpions também foi executada pela banda. Porém, a agressividade de sua voz não combinou com a melancolia impressa pela faixa.

Em meio ao bloco de “faixas de influências”, apareceu no concerto o cover de “Forever” do Kamelot, banda que Lione participou de apresentações ao vivo. “Carrie” do Europe precedeu a faixa “L’elisor d’amore: Una Furtiva Lagrima”, faixa do musical italiano muito famosa pela performance de Luciano Pavarotti. Cantada a capella e por vezes sem microfone, Lione exibiu sua grande técnica vocal aos fãs londrinenses.

Porém, enquanto tudo isso acontecia, parte do público já deixava a casa. Seja pelo horário, ou seja pelo pouco interesse dos fãs em ver algo fora do Rhapsody (e talvez do Angra) que o vocalista tinha para mostrar. Os que ainda estavam presentes, no entanto, puderam aproveitar um bom cover de “Wasted Years”, clássico do Iron Maiden que, curiosamente, combina bastante com a voz de Lione, encerrando assim sua apresentação

Assim como outros membros do Angra, Fabio Lione busca opções para seguir a carreira em meio à tão comentada pausa que a banda fará. Uma turnê como essa aproxima Fabio dos fãs, sendo uma experiência única aos que não tiveram a oportunidade de vê-lo enquanto era vocalista do Rhapsody.

Apesar do segundo setlist não parecer muito necessário, a experiência de ver Lione cantando as faixas que o colocaram no mapa do metal mundial é única e surpreendente – ainda mais com ele sem errar as letras como costuma fazer em sua banda brasileira. Brincadeiras à parte, um concerto como este confirma para quem o assiste o porquê de Fabio Lione ser uma lenda do metal.

 

SETLIST – FABIO LIONE

1 – Dawn of Victory

2 – Land of Immortal

3 – Wings of Destiny

4 – Holy Thunderforce

5 – Emerald Sword

6 – The Magic of the Wizard’s Dream

7 – Wisdom of the Kings

8 – Unholy Warcry

9 – Lamento Eroico

10 – The Village of Dwarves

11 – Rebirth

12 – Nova Era

13 – Bleeding Heart/Agora Estou Sofrendo

14 – Send me an Angel

15 – Violet Loneliness

16 – Time to Say Goodbay (Con Te Partirò)

17 – Still Loving You

18 – Forever

19 – Carrie

20 – L’elisir d’amore

21 – Wasted Years

Galeria do show