O supergrupo de Black Metal, Scour, foi formado em 2015, liderado pelo icônico Phil Anselmo, conhecido por seu trabalho com o Pantera., Down, Superjoint, entre outros. Eles rapidamente se destacaram na cena musical com seu som intenso e agressivo. A banda lançou uma trilogia de EPs que ajudaram a moldar sua identidade musical: Grey (2016), Red (2017) e Black (2020), os três com uma recepção muito positiva da crítica e fez com que conquistassem fãs com muita facilidade. O primeiro álbum, intitulado “Gold“, foi gravado em 2023 no estúdio de Anselmo, chamado Nodferatu’s Lair, e está sendo lançado em 21 de fevereiro de 2025 pela parceria Nuclear Blast/Shinigami no Brasil e pelos singles já liberados, a expectativa é de que seja um dos principais trabalhos da música extrema desse ano.
De fato, “Gold” aprofunda a experiência que já foi muito positiva com os EPs, levando os ouvintes a uma jornada de velocidade e agressão. Três porradas abrem o LP: “Cross“, “Blades” e “Infusorium“, todas com muitos blast beats, riffs insanamente velozes e vocais incríveis de Phil Anselmo, que se afasta daquele vocal mais versáteis que o mesmo usava no Pantera, ou até então dos mais melódicos e arrastados do Down. Aqui ele arrisca mais vocais rasgados de uma forma mais aguda, como manda a cartilha do Black Metal, com adição de alguns guturais pontuais.
Um dos grandes destaques do álbum é “Coin“, igualmente agressiva, conta com um solo – provavelmente de Gary Holt (Exodus, Slayer) – que se aproxima de algo melódico como o Behemoth faz em seus últimos lançamentos, mas não perde sua identidade violenta em momento algum. Em seguida chega “Evil“, que já nasce como um hino do estilo, conta com todos os elementos do Black Metal clássico dos anos 90, porém com uma mixagem muito mais limpa e audível. “Devil” é semelhante, com algumas harmonias que enriquecem a composição, um pouco mais acessível – na medida do possível.
“Hell” conta com alguns riffs fora do padrão do que já vinha sendo apresentado no álbum, o que chama atenção. Conta com ótima performance da bateria, na qual Adam Jarvis adiciona muitos blast beats com ótima viradas e mudanças de andamento. “Invoke” dá continuidade na ótima agressão sonora, mantendo a intensidade, com letras ácidas onde ecoam vários “Hail Satan!” no refrão.
Na reta final da audição, a faixa-título tem uma progressão de acordes mais melódica, com os riffs sendo tocados de forma mais lenta e pesada, mas sem perder a agressividade em momento algum. Pode entrar fácil emente no top 3 de composições da banda. Uma sombria e densa passagem chamada “Angels” nos leva para a faixa final “Serve“, com uma ótima entrada da bateria, mantém o nível do álbum todo e Anselmo dá mais um show na técnica de seus gritos mais voltados ao estilo. A faixa ainda conta com momentos mais melódicos em seu instrumental do refrão, contrastando perfeitamente com o peso de seus versos.
Ao fim da audição, as expectativas são superadas, não é apenas mais um álbum de Black Metal, é uma obra muito bem construída, mostrando uma banda muito bem entrosada e que sabe a direção que quer tomar. A combinação de um supergrupo com a experiência de Anselmo não podia dar mais certo e “Gold” pode facilmente figurar na lista de melhores do ano.
Formação:
Philip H. Anselmo | Vocals
Derek Engemann | Guitarra, Backing Vocals
John Jarvis | Baixo, Backing Vocals
Mark Kloeppel | Guitarra, Backing Vocals
Adam Jarvis | Bateria
Tracklist:
1. Cross
2. Blades
3. Infusorium
4. Ornaments
5. Coin
6. Evil
7. Devil
8. Contaminated
9. Hell
10. Invoke
11. Gold
12. Angels
13. Serve