Melissa Engleman, direto do Texas, é uma dessas vozes que chegam para transformar ambientes. A cantora já possui uma bagagem, e dessa vez a musa de madeixas escarlates traz novamente muito groove. Sua banda emergiu na cena musical trazendo um som que mistura um pop alternativo sofisticado e o country/folk típico de sua cidade, que grudam nos ouvidos. Em ‘Love, Death and Mexico’, seu novo álbum de cinco faixas, Melissa se entrega de forma madura, explorando sua composição introspectiva com camadas instrumentais ricas e sedutoras, que soam tanto nostálgicas quanto frescas.
Apesar de enfrentar desafios como um diagnóstico de câncer e atrasos relacionados à pandemia, Melissa perseverou, entregando uma coleção de músicas que são ao mesmo tempo assustadoras e curativas. Cada faixa do EP convida os ouvintes a uma jornada catártica de autoaceitação e empoderamento. Perca-se com Melissa num labirinto de autodescoberta, introspecção e sentimentos profundos.
“For As Long As My Heart Would Let Me”, é a porta de entrada perfeita para esse universo. A voz de Melissa denomina de imediato, aliada a um violão pulsante que guia a batida, enquanto os teclados se entrelaçam suavemente. A execução vocal de é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativo. É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de melancolia.
“Waiting For You” traz uma batida mais cadenciada, outra balada sentimental e profundo. É uma faixa que aposta em nuances de linhas de violão e uma bateria simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa.
“In the Quiet” chega como um hit do disco, com uma percussão marcada e uma guitarra simples mas muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, Melissa abusa do que chamamos de Refrão hit, a canção tem levada e um refrão totalmente cativante. É uma faixa que tem um potencial tremendo, funcionando como uma canção perfeita e digna de Grammy. A voz de Melissa brinca com os elementos de pop e country da faixa que fica em nossa mente.
Na canção “Say Goodbye”, Melissa buscou um pop mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva – Uma mistura de Alanis Morissette, Dolly Parton e Sheryl Crow. A produção aqui é mais “espacial”, com silêncios bem posicionados e um groove que brinca com as pausas, deixando espaço para cada nota se expandir. É uma faixa que exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade. È uma música com mais peso, que envolve e é muito comercial.
O álbum fecha com “Those Things”, faixa que retorna ao folk tradicional com um Ukulele e linhas de violão quase angelicais. É o fechamento ideal, carregado de mistério e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é ‘Love, Death and Mexico’. Melissa nos fazer sentir em um lugar que jamais estivemos em um trabalho simples mas perfeito.