Dark Lightning não está reinventando a roda, mas definitivamente sabe como girá-la com força. Formada em 2018, em Braunschweig, Alemanha, a banda aposta na fusão entre metal sinfônico e elementos do metal extremo para criar atmosferas grandiosas e dramáticas. Composta por Lea Diekmann nos vocais, Alexander Jung e Mike Richter nas guitarras, Frank Pirnay no baixo, Nepo na bateria e Marvin nos teclados, o grupo equilibra técnica e intensidade com um forte apelo melódico. ‘The Demons We Create’ é um disco que mergulha de cabeça nessa fórmula, equilibrando peso e melodia com execuções instrumentais afiadas e uma produção caprichada.
O álbum começa com “Glimpse of Freedom”, uma introdução sinfônica que constrói expectativa com arranjos orquestrais cinematográficos, preparando o terreno para “Trapped Forever”. Aqui, guitarras agressivas e uma bateria implacável contrastam com vocais líricos etéreos, criando um jogo de opostos que se repete em “The Unknown Mind”, onde momentos calmos servem apenas para potencializar os picos explosivos da faixa.
In To The Night Sky se destaca pelo trabalho de guitarras bem estruturado, alternando entre riffs melódicos e passagens mais cruas. Mas o verdadeiro peso do álbum se manifesta em “Hall of Tears”, que traz uma sonoridade densa e épica, com camadas orquestrais enriquecendo a brutalidade instrumental. O impacto lembra grandes produções do metal extremo sinfônico, com uma pegada cinematográfica intensa. Diversas vezes a sonoridade me lembrou trabalhos do Dimmu Borgir , por exemplo.
No meio do álbum, “Take Off e The Lonely Ruler” exploram dinâmicas mais progressivas, brincando com variações rítmicas e seções instrumentais elaboradas. “Solace in My Solitude” segue essa linha teatral, com arranjos bem encaixados que dão profundidade à composição.
A reta final mantém a energia em alta. “Born Without Heart e Beautiful Beast” combinam peso e melodia de maneira equilibrada, com atmosferas que oscilam entre o sombrio e o grandioso. Mas o grande destaque fica por conta de Quest for Light, uma peça intimista composta apenas por piano e voz. Aqui, Lea Diekmann brilha de maneira única, mostrando toda sua expressividade sem artifícios, resultando em um dos momentos mais emocionantes do disco.
A faixa-título “The Demons We Create” encerra o álbum consolidando tudo que foi apresentado: riffs potentes, arranjos sinfônicos e uma execução segura. O resultado é um trabalho sólido, que flerta com o metal sinfônico tradicional, mas não hesita em mergulhar em influências mais extremas. Para quem gosta de composições grandiosas, cheias de contrastes e impacto, esse álbum é uma pedida certeira.