Com uma proposta ousada e nada convencional os Transcending Into the Unknown surgem nessa playlist. Fundada na enigmática Noruega, a banda é composta por Filip, Robert e Stian Dahl – como indicado pelo sobrenome, todos são parentes, e Filip e Robert são irmãos, enquanto Stian é filho de Filip -, três músicos que se recusam a seguir as regras do jogo. Com seu novo trabalho , o EP de estreia ‘The Journey’, eles não apenas desafiam as convenções, mas também nos convidam a uma montanha-russa sonora repleta de surpresas.
A estética sonora dos Transcending Into the Unknown é um verdadeiro caldeirão de influências. Raízes no rock anos 80 distorcido se entrelaçam com ramificações de rock gótico sombrio, death e black metal e experimentações cinematográficas. Essa mistura cria um universo sonoro único, que ecoa referências ao som característico da Noruega. Mas não se engane, apesar das comparações, a banda possui uma identidade própria e singular.
Abrindo o álbum com “Winternight”, a banda nos lançam diretamente em um redemoinho de guitarras distorcidas e batidas imprevisíveis. A faixa estabelece o tom do álbum: um metal sinfônico/gótico que brinca com os sentidos e soa como um sonho louco. Os vocais femininos trazem a nostalgia de bandas norueguesas como Tristania e Theatre of Tragedy. Eu amei essa faixa. De longe a melhor faixa do disco.
“Giants”, uma reedição do single lançado em 2024, muda completamente a sonoridade, segue com a pegada de metal gótico em seus vocais guturais típicos dos nórdicos, mas as linhas de guitarra soam mais classic rock, onde camadas de sons se sobrepõem em uma dança quase caótica, mas estranhamente harmoniosa.
“The Valley” é uma viagem sonora onde a guitarra blues se mistura a um ritmo hipnótico crescente, criando uma atmosfera densa e envolvente. Aqui há tons mais folk sombrios mas os riffs de guitarra melaólicos seguem o padrão, e os vocais fortes depressivos são a cereja do bolo. Já “Chronos” (também uma nova versão do single lançado em 2024) traz uma energia mais misteriosa e pitoresca, com um acordes dissonantes e vocais altamente teatrais e experimentais quase fantasmagóricos, também voltando a tematica das bandas de gothic metal norueguesas, com linhas de piano, riffs teatrais e todo tom sombrio da fria Noruega. Os vocais femininos voltam com toda magia.
Em “Noir”, a banda apela por pelo blues sensual, com uma melodia que sai de assustadora para elegante e misteriosa em diversos momentos, algo extremamente experimental e visual, faixa extremamente intrigante e que me lembra os clássicos bares de jazz e rock. “Pratityasamutpada Blues” aproveita da loucura da faixa anterior e a estende em um funky blues rock interessante – essa faixa é uma das mais “normais” do disco, mas ainda sim cheia de personalidade identidade, destaca-se. De longe a melhor faixa do disco.
Fechando o EP, a faixa autointitulado, que leva o nome do projeto. Aqui sentimos todo som experimental que a família propõe. Riffs roqueiros e cheios de técnicas, que lembram David Gilmour e outros guitarristas clássicos. Mas a orquestração não deixa de lado a verdadeira influência nórdica. O som passeia para o tom sombrio que tanto nos encante desse disco. A faixa oferece uma pausa breve, com uma melodia mais arrastada e melancólica, a faixa que carrega a estética da anterior coloca cada nota para ecoar em um vasto vazio distorcido. Simplesmente algo único que só o Transcending Into the Unknown pode explicar.
‘The Journey’ não se limita a ser ouvido; ele precisa ser experiênciado. Cada faixa é uma peça de um quebra-cabeça surreal que os Transcending Into the Unknown montaram com maestria. Se você busca algo que desafie suas percepções e o leve a uma jornada sonora única, este álbum é a escolha perfeita. Prepare-se para ser transportado a um mundo sombrio, e a música se torna uma experiência visceral e inesquecível.